Ação motivacional vira assédio moral

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Por Viviane Sousa - 19/02/2015

Pressionar a equipe faz parte do dia a dia das empresas na busca por maior eficiência, produtividade e cumprimento de metas. Mas as empresas precisam ficar atentas para não extrapolar limites éticos. Caso contrário, a organização e o “agressor” correm risco de processos por funcionários que se sentirem moralmente lesados.

Caixão gera indenização de R$ 25 mil

Nos últimos meses, muitos supermercados foram multados Brasil afora. Recentemente, uma grande rede foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 25 mil a cada funcionário que se sentiu humilhado e constrangido durante uma ação para alertar a equipe quanto ao seu desempenho. De acordo com o processo, a sala de repouso dos trabalhadores foi equipada com um caixão de papelão em frente a um espelho com a seguinte mensagem: “faleceu ontem a pessoa que impedia o seu crescimento na empresa. Você está convidado para o velório na sala de descanso”.

Em recurso, a rede de supermercados alegou que se tratava de uma campanha motivacional para simbolizar a necessidade de renovação profissional dos trabalhadores. Para a Justiça do Trabalho, no entanto, a varejista demonstrou um comportamento “abusivo e perverso”, além de falta de “inteligência e entendimento sobre o significado de um dos princípios constitucionais: a dignidade da pessoa humana”.

Multas podem passar de R$ 100 mil

Vale ressaltar que em julgamentos como esse o juiz normalmente se baseia na análise conjunta da situação econômica do ofendido e do ofensor na hora de estipular um valor. Então, é provável que quanto maior for a empresa, maior será o valor a ser indenizado. Em alguns casos, pode ultrapassar R$ 100 mil.

Bom senso ajuda a evitar situações de assédio

Algumas precauções devem ser tomadas para evitar o problema. Bom senso na hora de definir as ações de incentivo ao comprometimento da equipe é o primeiro passo. Especialistas sugerem a criação de um ambiente descontraído para deixar as pessoas felizes e mais receptivas para absorver mensagens que serão transmitidas. Lembre-se: não adote iniciativas com temas mórbidos, como o do caixão. Tão pouco ações preconceituosos, vexatórias e humilhantes.

Ouvir a equipe

Instruir os gestores a conversar com a equipe antes de adotar qualquer campanha de incentivo à produtividade é uma boa prática. Todos precisam estar de acordo com a nova medida. E durante a atividade, caso alguém se recuse a participar, não poderá ser aterrorizado ou chacoteado pela liderança ou os demais colegas.

Gritos e ameaças estão fora

Gritar com um funcionário na frente ou não do restante da equipe, assim como ameaças de demissão como forma de pressionar para o cumprimento de metas também são comportamentos inadequados da liderança. Eles podem gerar processos trabalhistas. Se o assunto é delicado, o ideal é conversar tranquilamente com o colaborador em uma sala fechada. Programas de bônus pelo cumprimento de metas costumam dar mais resultado do que ameaças.

Todos precisam ser avaliados

A empresa toda deve ser avaliada, porque o assédio não parte apenas dos superiores. Ele ocorre também entre os funcionários, principalmente quando o clima da empresa é muito competitivo. Especialistas recomendam uma avaliação junto à equipe. É possível elaborar um formulário e entregá-lo aos colaboradores. Ele deve avaliar a si próprio, seus colegas, os gestores e o modelo de gestão. Para esse método funcionar, é fundamental manter total sigilo das informações. Caso contrário, os empregados terão medo de represálias e vão evitar falar a verdade. Se o resultado da avaliação mostrar que o problema parte dos diversos níveis hierárquicos da companhia é importante alertar toda a equipe. Vale ainda esclarecer o que é assédio moral. Pode parecer exagero, mas ainda há muitas pessoas que não sabem o que é isso.

O que evitar

Criar uma lista do que deve ser evitado no ambiente de trabalho é outra medida que pode ajudar. A dica é começar pelas piadinhas sobre religião, raça e aparência física. Elas são muito comuns, mas podem render um processo caso o alvo da brincadeira se sinta ofendido. Desta forma, é possível garantir um ambiente agradável para todos, onde não haverá espaço para assédio.

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