Fraudes fazem empresas perder 5% do faturamento anual

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Por Viviane Sousa - 12/01/2015

Fraudes fazem empresas perder 5% do faturamento anual

Uma tentativa por semana. Essa é a média de fraudes corporativas que atinge empresas no mundo todo, segundo estudo da Attachmate Corporation e do Ponemon Institute. O problema é grave. Costuma provocar perdas de cerca de 5% no faturamento anual do negócio, conforme aponta a KPMG, consultoria internacional. Apenas registros internos perdidos ou roubados chegam a provocar prejuízo de mais US$ 200 por ocorrência.

Ao considerar que as empresas demoram até 87 dias para detectar os casos e mais de três meses para descobrir a causa, fica fácil entender por que esse problema pode fazer um negócio perder tanto dinheiro e ter de decretar falência.

Consequências

Fábio Gomes de Barros, especialista em gestão estratégica de segurança corporativa da Vénus Consultoria, explica que as fraudes corporativas também afetam a reputação da empresa e, consequentemente, o preço de suas ações no mercado, a relação com investidores, clientes e fornecedores, além da motivação dos funcionários. “Afinal, cria-se um clima de insegurança entre equipes e chefias”, acrescenta.

Fraudes e fraudadores

A lista de ocorrências envolve roubo de informações estratégicas, para serem vendidas a concorrentes, roubo de ativos, crimes eletrônicos, corrupção e fraudes contábeis. Entre os principais fraudadores estão sócios e funcionários de departamentos em que há movimentações financeiras e de produtos, como tesouraria, contas a pagar/receber, compras, recebimento e estoque. “Áreas de contratação de serviços, vendas, marketing e até RH também integram o grupo de risco”, completa Barros. O perfil-padrão é o de homens entre 26 e 40 anos, com mais de oito meses de empresa. Eles fazem horas extras e acumulam tarefas. Apresentam sinais de enriquecimento súbito, como carro novo, viagens e equipamentos caros.

Investigação

Caso surjam suspeitas, é necessário iniciar uma investigação interna. Nessa etapa é importante documentar tudo, proteger as testemunhas, montar um time para as entrevistas e contar sempre com ajuda de um advogado. Quanto menos pessoas souberem da investigação, melhor. “No entanto, a política de transparência da organização precisa ser observada. Em geral, alguns departamentos como o de recursos humanos e jurídico devem participar do processo. No caso de precisar entrevistar funcionários que não são suspeitos, é aconselhável pedir que mantenham sigilo e garantir que eles não corram riscos”, alerta Claudio Peixoto, diretor da área de serviços forenses da KPMG no Brasil.

Prevenção

Alguns mecanismos podem ajudar na prevenção ao problema, como código de ética, programa de auditoria e controles internos. Bem como avaliar e observar o comportamento dos colaboradores, caso de linhas de parentesco, ligações afetivas entre colegas e dependência química e vícios em jogos. Há empresas que contratam estudo de compatibilidade entre salários e padrão de vida dos funcionários, a fim de detectar enriquecimento súbito. Vale ainda implantar esquema de rotatividade de funções em alguns departamentos, assim como sistemas de segurança empresarial corporativa, que alertam quando há ocorrência de desvios e uso incorreto de recursos, além de serviços de inteligência para flagrar vazamento de informações estratégicas. A empresa também precisa deixar claro aos colaboradores que pune fraudes corporativas em suas instalações.

Penalizações

Caso a fraude não seja comprovada, o que resta é a dispensa sem justa causa do fraudador. Se for confirmada, o fraudador pode ser responsabilizado nos âmbitos civil e penal. O problema é que, para evitar divulgação, muitas empresas não processam o fraudador. Apenas o demitem. Essa não é a atitude correta, porque a impunidade faz com que ele continue a fraudar em outras companhias.

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