Síndromes do trabalho - vilãs da produtividade

Avaliação:

(0 Avaliações)

Por Marianna Abdo - 19/11/2014

Causadas principalmente por situações de estresse muito grande ou mudanças bruscas na rotina, elas impactam negativamente a vida da empresa e dos colaboradores.

Causadas principalmente por situações de estresse muito grande ou mudanças bruscas na rotina, elas impactam negativamente a vida da empresa e dos colaboradores

Situações de estresse extremo, mudanças bruscas na rotina ou no cenário do trabalho podem causar alterações no comportamento dos colaboradores e, portanto, impactar negativamente o ambiente corporativo. São as chamadas síndromes do trabalho. Entre as mais conhecidas, segundo Sérgio Mônaco, sócio da Blend Desenvolvimento de Liderança, estão: insegurança ao assumir novo papel, síndrome de perseguição (pelo chefe e outros colegas), síndrome do eterno explorado (o colaborador pensa que está sempre sendo explorado pela empresa), síndrome da demissão iminente (sensação de que será demitido a qualquer momento) e síndrome da incompetência (quando o funcionário considera que não está entregando o suficiente para a empresa). Os resultados são nocivos tanto para a vida pessoal quanto profissional do indivíduo. No trabalho, essas situações normalmente são despertadas pelo desequilíbrio entre os desafios de uma função e as habilidades do ocupante. "Um profissional que é levado a uma posição de maior complexidade sem estar pronto para entregar resultados de acordo com o que é esperado, vai sofrer de ansiedade", explica Rafael Beran Bruno, sóciodiretor do Instituto Pieron, consultoria de recursos humanos. A situação contrária, ou seja, quando o profissional é exigido aquém de suas habilidades também provoca o mesmo efeito. Outra fonte de problema é quando não existe confiança mútua na relação entre líderes e liderados. "Esse tipo de disfunção pode ocorrer por falta de transparência de papéis, por desequilíbrio entre as responsabilidades de um funcionário e os recursos que ele tem à disposição, e pela incapacidade do líder de adicionar valor ao trabalho do seu subordinado", diz Rafael Bruno.

Essas síndromes tendem a trazer prejuízo para as empresas, uma vez que afetam a motivação dos colaboradores e, consequentemente, a produtividade. A má influência também pode ser sentida no clima e na relação com os demais colegas de trabalho. "O profissional com visão distorcida ou alto nível de estresse pode provocar insegurança nos colegas e ser absorvido por temas que não têm nada a ver com seu trabalho", afirma Mônaco.

Paulo Maurício Mello, diretor do Núcleo Pluri, consultoria em desenvolvimento pessoal e liderança, explica que o profissional perde competências como foco, colaboração, interação e capacidade de antecipar problemas ou dificuldades.

Mas como os gestores podem perceber e evitar esses problemas? Segundo Mello, algumas características comportamentais e até físicas podem sinalizar a existência de problemas. Irritabilidade, agressividade, sudorese excessiva, tontura, dificuldade de relacionamento, olhar no vazio e esquecimento de tarefas do dia a dia podem aparecer dependendo do nível de estresse. Outros sintomas podem ser notados na entrega de resultados. Funcionários que recorrentemente trabalham além do expediente e mesmo assim têm dificuldades em produzir podem estar sofrendo de ansiedade. O ideal é implementar ações que evitem que as síndromes do trabalho contaminem o ambiente e prejudiquem a produtividade e os negócios.

 

O que a empresa deve fazer para evitar o problema

• Formar mentores: esse profissional deve ter uma visão integral que permita acolher e orientar os colaboradores

• Observar mudanças: gestores devem ficar atentos ao comportamento dos seus funcionários para antecipar uma possível crise

• Analisar: os líderes devem ajudar os colaboradores a periodicamente analisar o sentido, o significado e a importância que o trabalho tem em sua vida

• Informar e educar: as empresas devem oferecer workshops, palestras e treinamentos que vão além da área técnica e levem em consideração aspectos comportamentais.

 

Harmonia, transparência e alinhamento de expectativas são algumas atitudes que podem ajudar a combater as síndromes. "A empresa deve capacitar a liderança para atuar de modo transparente, estabelecendo diálogos e dando feedbacks constantes para seus funcionários. Deve também deixar claras as razões para promoções, políticas de remuneração e o que se espera de cada funcionário", afirma Mônaco.

Além disso, não se pode perder de vista a harmonia entre as habilidades dos funcionários e os desafios que irão receber, além da criação de relações de confiança mútua entre líderes e liderados. Rafael Beran Bruno lista como ferramentas para o alcance desses resultados "a gestão de talentos e carreiras com base em níveis de complexidade do trabalho e a definição clara de responsabilidades e autoridade dos líderes".

 

 

Inseguranca na nova função

Uma das síndromes mais comuns é a causada pela insegurança de assumir uma função para a qual não se sente preparado. Para evitar que isso ocorra, Rafael Beran Bruno, sócio-diretor do Instituto Pieron, elenca algumas perguntas que o profissional deve fazer a si mesmo antes de aceitar ou buscar uma promoção.

01 - Você valoriza o trabalho inerente à função que lhe foi oferecida?

02 - Você sabe quais são os conhecimentos e habilidades necessárias para desempenhar essa nova função? Se você não os têm, parece realista obtê-los em um curto espaço de tempo?

03 - Você já conversou com alguém que tem um bom desempenho numa função parecida para entender o que ele considera crítico para o sucesso? Você realisticamente acredita que conseguiria exibir o mesmo tipo de performance?

04 - Você está pronto para ser pessoalmente responsabilizado pelo resultado do trabalho da sua equipe, caso assuma um papel gerencial? Você sabe exercer a liderança gerencial de forma eficaz?

05 - O chefe do seu chefe acha que você terá sucesso na função pretendida?

 

Os colaboradores também podem apresentar mudanças de comportamento causadas por depressões e outros problemas que não têm origem na empresa. Mesmo tendo boa formação e experiência, o profissional não decola por razões pessoais, que devem ser tratadas. Nesse caso, Mello alerta que as empresas precisam primeiro quebrar o paradigma de que o problema não é delas. "É sim, e as organizações devem se preocupar em encaminhar o colaborador para um coach ou um psicólogo, dependendo da gravidade da situação." Já existem programas de coaching no mercado que incluem também comportamentais, psicológicos e existenciais. "Muitos quadros depressivos são fruto de uma crise existencial. Uma vida que até pode ser bem-sucedida, mas que para a pessoa não tem significado algum. Nesse caso, é preciso uma terapia para colocar o colaborador no caminho certo da vida e da profissão", comenta o especialista. Tudo para o bem do indivíduo e da empresa.

Comentários

Comentar com:
Publicidade

GPS - Guia prático de sortimento

Aqui você pode navegar por todas as seções e categorias de produtos. Utilize um dos filtros abaixo para visualizar as informações:

BUSCAR

ENQUETE


Resultado parcial

teste erik vm2

  • 1 0% 0 votos
  • 2 0% 0 votos
  • 3 0% 0 votos
Publicidade